sábado, março 17, 2007

Como cisnes fluindo, passeando por sobre a coloração esbatendo-se recortada pelas sombras das árvores de fim de tarde, as frases derivantes na vaga impaciência que as velhas margens fitam, os seus verdes cansados de sempre. Uma ou outra ardilosa inspiração transparente, patas que se agitam no salpicado instante de ameaçar o golpe de asa, e até a inquietação é por fim airosa na maneira como se dissipa, concêntricas perturbações fugazes à quietude iniludível da superfície, apartadas pelo temeroso abraço díspar da impossibilidade turva da coesão. As rãs coaxam à passagem, recebem a sonolência da noite impondo-se ao seu desespero formal. Subjacentes à paisagem, os ruídos de fundo são-no cada vez mais, e é essa a verdade que emerge dos últimos raios de sol translúcidos, desmistificando a profundeza e os nenúfares. Ainda, uma conforme jangada permite recolher esses pedaços, como quem colecciona recortes de jornal para os estampar numa tela difusa e ritualista, memórias compulsivas e fugidias, membros saudosos de um mero corpo.